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Encontro 10 - Prompta que pariu! Será que vão me substituir por uma máquina?

Design Croquete - Maio de 2025

No Design Croquete de Maio discutimos sobre IA e Design. Esse é um desabafo sobre IA: A gente anda terceirizando para IA o nosso lado humano?


Eu já tinha uma certa desconfiança que aquela promessa de “fazer menos” depois da IA era vazia (tanto no trabalho quanto na vida pessoal). O que eu vi ontem nas conversas do encontro da comunidade do Design Croquete foi muito parecido com a minha vivência: é tanta informação e IA nova surgindo o tempo todo que fica difícil acompanhar, testar e escolher o que usar. A sensação é de sempre estar ficando para trás, o que faz com que eu me esforce o dobro e mesmo assim me sinta ultrapassada. Ou seja, o tempo de esforço que era para ser reduzido com o uso de IA parece ter aumentado.

Enquanto essa corrida maluca acontece, eu me vi, para economizar tempo, terceirizando para IA uma coisa muito humana: a linguagem. Quase todo e-mail que eu escrevo, post de rede social, revisão de roteiro de pesquisa passava por uma IA em pelo menos uma etapa da construção do texto. Então eu já não me preocupava em escrever o texto por completo, o que eu fazia era gerar os bullet points e pedir para inteligência artificial conectar eles em formato de texto. No começo ela colocava no meio das minhas ideias advérbios e adjetivos que não expressavam o que eu estava sentindo.

Você entende como isso é grave? Uma máquina que me dá sugestões de como eu me sinto em relação a algo. Se eu entendo que aquele texto é uma versão melhorada dos meus bullet points, eu também entendo que aquele sentimento é melhor do que o que eu sinto de fato? Eu deixo de me perguntar o que eu sinto em algum momento? Eu sinto que estou perdendo contato com a minha própria voz, para mim enquanto mulher essa é uma grande questão. Demorou para que eu conseguisse ter uma, não quero perdê-la.

Eu sei que foi uma grande viagem esse texto. Não sei se ele é apropriado para essa rede social, no entanto, não queria deixar passar essa angústia que é marcada toda vez que converso sobre IA. Eu particularmente ando me forçando a questionar o que eu ando terceirizando para ela e tentando desenvolver um filtro pessoal do que é humano.

O texto a seguir foi o texto acima depois de passar por uma IA:

Estamos terceirizando nosso lado humano para a IA?

Eu já desconfiava que aquela promessa de “fazer menos” com a IA era furada. O que descobri ontem no encontro da comunidade Design Croquete confirmou: não estamos fazendo menos, estamos fazendo diferente — e talvez perdendo algo essencial no processo.

A corrida que nunca acaba São tantas ferramentas novas surgindo que é impossível acompanhar. A sensação de estar sempre atrasada me faz trabalhar o dobro. Ironicamente, a tecnologia que deveria me dar tempo está me roubando tempo.

Quando delegamos nossa própria voz Foi aí que me peguei terceirizando algo muito íntimo: minha linguagem. E-mails, posts, roteiros — tudo passava pela IA. Eu criava bullet points e pedia para ela “melhorar” meu texto.

Até que percebi algo assustador: a máquina estava colocando palavras para expressar o que EU sentia. Advérbios e adjetivos que não eram meus. E eu aceitava, porque parecia “melhor”.

A pergunta que me inquieta Se aceito que o texto da IA é uma versão melhorada dos meus pensamentos, estou aceitando que ela sente melhor que eu? Quando paro de me perguntar o que realmente sinto?

Como mulher, essa questão me toca profundamente. Levei anos para encontrar minha voz. Não quero perdê-la agora.

O filtro que estou desenvolvendo Hoje me pergunto antes de usar qualquer IA: isso é algo que eu preciso sentir, pensar ou expressar por mim mesma? Nem tudo precisa ser otimizado.

Talvez a verdadeira eficiência seja saber quando NÃO usar a ferramenta.

E você, já parou para pensar no que está terceirizando?

Reflexão inspirada pelas conversas da comunidade Design Croquete — espaços como esse são essenciais para questionarmos juntos o futuro que estamos construindo.

 
 
 

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